Não são os vícios que matam, são as ausências

Não são os vícios que matam, são as ausências

Uma vez uma terapeuta me perguntou se eu sabia qual era o meu vício, que todos temos algum vício. Ela ainda me provocou, será que teu vício é querer ser certinha demais?

Com certeza me incomodou e me fez pensar.

Isso me trouxe também outra lembrança, uma vez, pegando carona com uma colega “yogini” ela comentou o seguinte com outra… eu não entendo essas pessoas que ficam o dia inteiro jogando no celular, que desperdício de vida!

Porém, exatamente nessa fase da minha vida eu era viciada em jogo de celular, e eu entendo que ela não entenda. É impossível entender os vícios dos outros se não compreendemos nem os nossos.

Também já me viciei em séries. O vício é muito mais forte que nossa própria vontade, ele te desliga da realidade e das tuas emoções, mas também te sufoca. Foram alguns dos piores momentos da minha vida.

Eu só consegui ter um pouco mais de clareza sobre o que estava acontecendo quando li um artigo que citava Johann Hari, autor que fala sobre vícios, depressão e conexões. Ele dizia o seguinte:

“O oposto do vício não é a sobriedade. O oposto do vício é a conexão.”

Quando estamos viciados, seja no que for, estamos desconectados de nós mesmos, de nossas emoções e de nossas relações. É preciso coragem e consciência para querer se reconectar. É preciso coragem para lidar com a dor que me faz escolher o vício ao invés da conexão.

O mesmo artigo citava Gabor Maté, um médico dedicado a auxiliar adictos a superarem essa condição. Este reforça que você não deve questionar o vício, mas sim qual é a dor que gera esse vício. Ele diz que é preciso conviver com essa dor, pois negá-la aumentará a dor, mas que para isso você precisa de ajuda, precisa de apoio.

Não é fácil, os vícios são muitos, estão sempre à disposição e muitas vezes se mascaram de coisas boas como yoga, cuidar mais dos outros do que de si, autoconhecimento, até mesmo o esporte.

Como você ficaria se te tirassem o teu vício?

Larissa von Hartenthal

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